terça-feira, 10 de janeiro de 2017

BDI NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O índice BDI na Construção Civil – do Inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas Indiretas em Português  – é um elemento orçamentário que ajuda o profissional responsável pelos orçamentos da Construção Civil a compor o preço de venda adequado levando em conta os custos indiretos (os não relacionados a materiais, mão-de-obra, etc). Vale ressaltar que esse índice não é absoluto, cada obra ou serviço deve ter um BDI próprio, pois as condições de cálculo e o preço de venda são específicos para cada caso.
Nos orçamentos, dois componentes determinam o preço final de um serviço: os custos diretos e o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas):
  • Custos diretos são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço objeto do orçamento em análise. Portanto, todos os insumos incluídos em uma composição de custo unitário de serviço são considerados custos diretos;
  • Custos indiretos são os que não são incorporados ao produto final, mas contribuem para a formação do custo total:
    – Administração Central da Empresa
    – Custo financeiro do contrato
    – Seguros
    – Garantia
    – Tributos sobre a Receita
O BDI ajuda as empresas a garantir um bom custo global e a cobrir as despesas da administração central, custos financeiros, impostos, garantias, seguros, tributos e a margem de incerteza. Numa outra definição, o BDI é o rateio do Lucro mais os Custos Indiretos aplicado aos Custos Diretos e também pode ser admitido pela sigla LCI – Lucro e Custo Indireto.
Inicialmente o BDI era um conceito apenas aplicado em orçamentos de obras e empreendimentos de Engenharia Civil, mas pode ser adaptado em outras oportunidades, como por exemplo em licitações que envolvem postos de trabalho alocados.

Vale lembrar que o BDI na Construção Civil é muito importante quanto se trata de licitações. Para entender melhor o papel que o índice tem na empresa contratante  e na contratada, é importante conhecer o Decreto Nº 7.983, de 8 de abril de 2013.

fonte: https://www.sienge.com.br/blog/bdi-na-construcao-civil-o-que-e-como-usar/?utm_source=materiais-uteis&utm_medium=links-planilha&utm_campaign=planilha-de-calculo-de-bdi

BDI NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O índice BDI na Construção Civil – do Inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas Indiretas em Português  – é um elemento orçamentário que ajuda o profissional responsável pelos orçamentos da Construção Civil a compor o preço de venda adequado levando em conta os custos indiretos (os não relacionados a materiais, mão-de-obra, etc). Vale ressaltar que esse índice não é absoluto, cada obra ou serviço deve ter um BDI próprio, pois as condições de cálculo e o preço de venda são específicos para cada caso.
Nos orçamentos, dois componentes determinam o preço final de um serviço: os custos diretos e o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas):
  • Custos diretos são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço objeto do orçamento em análise. Portanto, todos os insumos incluídos em uma composição de custo unitário de serviço são considerados custos diretos;
  • Custos indiretos são os que não são incorporados ao produto final, mas contribuem para a formação do custo total:
    – Administração Central da Empresa
    – Custo financeiro do contrato
    – Seguros
    – Garantia
    – Tributos sobre a Receita
O BDI ajuda as empresas a garantir um bom custo global e a cobrir as despesas da administração central, custos financeiros, impostos, garantias, seguros, tributos e a margem de incerteza. Numa outra definição, o BDI é o rateio do Lucro mais os Custos Indiretos aplicado aos Custos Diretos e também pode ser admitido pela sigla LCI – Lucro e Custo Indireto.
Inicialmente o BDI era um conceito apenas aplicado em orçamentos de obras e empreendimentos de Engenharia Civil, mas pode ser adaptado em outras oportunidades, como por exemplo em licitações que envolvem postos de trabalho alocados.

Vale lembrar que o BDI na Construção Civil é muito importante quanto se trata de licitações. Para entender melhor o papel que o índice tem na empresa contratante  e na contratada, é importante conhecer o Decreto Nº 7.983, de 8 de abril de 2013.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Os otimistas enfrentam melhor os momentos de adversidade

Estamos vivendo um momento que para quem tem mais de 40 anos não deixa de ser um déjà vu. Um ano que chegou trazendo muitas incertezas e mudanças, além de surpresas que têm nos atingido no dia a dia, impactando nossa vida pessoal e, em especial, nossa carreira. Não é nada confortável vivenciar o nevoeiro. Ele que nos deixa com a sensação de não termos controle. Esse cenário, por tempo prolongado, produz uma série de sentimentos negativos que, ao nos acompanhar para a vida corporativa, acaba por drenar as nossas energias e a capacidade de entregarmos o que temos de melhor em termos de resultados. Não me refiro ao cansaço por trabalhar acima da média, mas sim ao desgaste emocional, à inevitável frustração, sensações que vão abrindo caminho para o estresse e para a baixa autoestima.
Em momentos de crise e de incertezas é natural aflorar o senso de preservação, ou seja, investimos muita energia para que seja garantida a nossa continuidade. Os fantasmas – reais ou imagináveis – tomam conta do ambiente de trabalho. Se a situação se agravar, a empresa pode precisar reduzir custos. E aí, quem fica e quem vai embora? Trabalhar com essa sombra deslizando pelos corredores acaba com o espírito de equipe, o tão falado e fundamental engajamento fica comprometido. A má notícia é que, nesse estado, qualquer profissional tem seu equilíbrio emocional afetado. É comum, nessa fase, a perda da criatividade, a queda da produtividade e o surgimento de um quadro de estresse. Mais lenta e avessa ao risco, dificilmente uma pessoa toma as decisões mais acertadas.
Sei que é difícil enfrentar esse cenário. Dependendo do grau de estresse, o bom senso oscila. Mas minha sugestão é que o profissional enfrente a situação com atitude positiva, fazendo tudo de melhor que esteja ao seu alcance. A grande questão é focar naquilo que é possível fazer, influenciar os outros a se manterem produtivos e ativos, colaborar para conservar a integridade e o alinhamento de todos com os valores da organização.
Todo cuidado é pouco quando o assunto é o poder de influenciar. Esse processo leva às emoções positivas, cria um ambiente mais otimista, onde cada um pode ser e dar o que tem de melhor. Pessoas que são otimistas, sem deixarem de ser realistas, têm um grande diferencial competitivo que sempre contará a favor das suas respectivas carreiras. É uma característica que extrapola o ser ou não otimista. Pessoas com mais equilíbrio emocional são capazes de manter o grupo mais motivado. Se o momento já é complicado e cada um precisa administrar suas renúncias e adversidades, imagina enfrentar essa situação com alguém de mau humor, de temperamento explosivo e negativista? Muito complicado.
O fato é que, no decorrer da vida, todos nós vamos nos moldando por meio das nossas experiências. São esses momentos pessoais que nos habilitam a sermos maduros para enfrentar as adversidades. Podemos ser desesperados e chatos, ou podemos seguir com nossa vida com mais confiança e otimismo. Ao mesmo tempo, o equilíbrio íntimo, combinado a outros comportamentos e talentos, vai permitir que cada um administre o dia a dia na vida profissional com mais desenvoltura e encontre meios de sofrer o menos possível, neutralizando ao máximo as situações negativas.
David Mezzapelle, autor do livro Contagious Optimism, e Jason Wachob, co-fundador e CEO do site MindBodyGreen.com, destacam algumas características das pessoas otimistas. Confira algumas delas seguir:
Gratidão até pelas pequenas coisas da vida e resiliência para enfrentar desafios são características marcantes. Doar tempo e energia, estar disponível para alguém que precisa, ter interesse genuíno pelo outro, exercitar a escuta ativa e reforçar a esperança. Cercar-se de pessoas com perfil parecido e que geram e absorvem energia positiva faz muita diferença. Ter perseverança e acreditar nos seus objetivos e capacidade de atingi-los, não se deixando afetar pelo pessimismo e realidade do outro.
Uma pessoa otimista tem maior disposição para perdoar, pois não se prende tanto ao passado, prefere esquecer o agressor. E, por fim, o otimista tem o sorriso que contagia o ambiente e diminui o estresse. A maioria das pessoas funciona melhor em lugares que tenham uma equipe assim, especialmente quando há uma dose de realismo presente. O ambiente otimista cria um clima de maior confiança entre seus membros e ajuda a estimular a criação de planos e ideias.
Destaco, ainda, a importância do pensamento positivo na evolução da carreira. Pois sempre iremos nos deparar com situações e cenários como o atual e, é certo que os otimistas terão mais energia, serão capazes de se renovarem, motivarem em meio ao caos e buscarem soluções e oportunidades, diferentemente dos pessimistas ou conformados. Cabe a você escolher de que lado quer estar.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

As verdades de ontem e as realidades de hoje: uma nova mentalidade global para as empresas brasileiras.



Fazer sucesso no exterior pode ser um passo importante para fazer muito sucesso em casa. Os brasileiros sabem disso muito bem. Um bom exemplo são alguns dos mais bem-sucedidos jogadores de futebol do país, que só se consagraram como ídolos locais quando passaram a defender clubes europeus. 
Ou mesmo a nossa Bossa Nova, que só se consagrou como patrimônio nacional após ícones como Frank Sinatra terem ajudado a popularizá-la por todo o mundo. Muitas vezes, as ideias mais inovadoras e especiais são fruto da mistura de ingredientes nacionais com temperos vindos de fora.
 O mesmo se aplica aos negócios. A AB Inbev juntou as poderosas Interbrew, da Europa, e Anheuser-Busch, dos EUA, sob o rígido modelo de gestão da Inbev para criar a maior cervejaria do mundo. O sucesso dos modelos de negócios multinacionais ao longo das duas últimas décadas deve-se à crescente capacidade das empresas de combinar recursos, habilidades e ideias de todo o mundo.
Entretanto, ver o mundo como um banquete de oportunidades não é fácil. As empresas brasileiras precisam lidar com a dura realidade de uma burocracia complexa, deficiências de infraestrutura e falta de exposição e experiência internacionais. Mesmo as empresas confiantes em seus planos de crescimento internacional sentem-se despreparadas para os desafios de administrar operações globais.
Pesquisa do Accenture Institute for High Performance apontou que falta a muitos líderes de negócios e equipes das empresas no Brasil a “mentalidade global” necessária para uma internacionalização bem-sucedida. Trata-se de um importante obstáculo a superar.
Com o boom econômico da primeira década do século, muitos executivos brasileiros apontaram as crescentes oportunidades em casa como motivo para deixar de lado os planos de expansão internacional. Essa lógica, porém, era falha: dados de exportações e investimento direto no exterior mostram que a posição do Brasil deteriorou-se em relação a outras economias emergentes desde a virada do século. 
Agora que a economia brasileira desacelerou, a desculpa mudou: os negócios em casa precisam ser postos em ordem antes que a expansão internacional entre em pauta. Enquanto isso, a internacionalização permanece como uma consideração estratégica para empresas de várias economias emergentes, sobretudo chinesas, e o Brasil corre o risco de ficar ainda mais para trás.  
Além de uma falta de compreensão acerca da urgência de atuar além das fronteiras nacionais, os esforços dos executivos brasileiros são dificultados por quatro percepções desatualizadas sobre a expansão global, segundo pesquisa recente da Accenture. 
Para desenvolverem a mentalidade necessária para fortalecer a posição do Brasil na arena internacional de negócios, os executivos do país precisam deixar para trás essas percepções, entender as novas realidades de concorrência e se adaptar a elas.

Percepção: 
Escala em casa e domínio do mercado interno são pré-requisitos para o sucesso internacional.
Realidade: 
Cada vez mais a expansão internacional será necessária para alcançar ou manter a escala no mercado interno.
No passado, antes de se aventurar no exterior, era preciso ser grande no mercado interno. Conforme nos contou um executivo: “Tudo é uma questão de escala. Quando se é grande o bastante e se tem experiência, parte-se para o mercado externo; é o que acontece com países grandes como Brasil, Índia e China”. É claro que ele estava certo.
Olhando para as grandes empresas de países emergentes que têm se destacado no mundo, fica claro que elas são, em sua maioria, gigantes que extrapolaram seus mercados domésticos. Empresas como JBS Friboi, WEG e Gerdau cresceram e tornaramse players dominantes em casa antes de se aventurarem no exterior em busca de novas oportunidades.
As vantagens de ter um grande mercado doméstico são evidentes. As multinacionais brasileiras claramente se beneficiam de seu grande mercado interno. Ao gerarem economias de escala graças a suas grandes operações “em casa”, essas empresas adquiriram expertise, acumularam experiência e desenvolveram a confiança e as habilidades necessárias para entrar em novos mercados. O sucesso no país também garante os recursos necessários para subsidiar empreitadas experimentais no exterior. 
O resultado é que as multinacionais brasileiras tendem a ser empresas grandes. Quase 70% das 47 multinacionais incluídas no ranking de 2013 das empresas brasileiras mais internacionalizadas preparado pela Fundação Dom Cabral têm receita anual acima de R$ 1 bilhão. 
Podemos, então, associar “grande” a “forte” e “bom”? Sim, sem dúvida trata-se de uma característica positiva. A escala provou ser importante para a atual geração de multinacionais brasileiras. No entanto, a economia global de hoje também valoriza e recompensa atributos como agilidade, flexibilidade e velocidade.
Os tempos mudaram. A escala deve ser cada vez mais entendida como resultado do sucesso internacional, em vez de um pré-requisito para atingi-lo. As tecnologias digitais estão reduzindo a importância da escala como barreira à entrada em novos mercados. As micromultinacionais e empresas “nascidas globais” são símbolos desta mais nova fase de negócios globais, na qual redes interconectadas de empresas de todos os tamanhos formam a base do ecossistema competitivo. A capacidade de formar parcerias e colaborar com empresas de todos os portes e de todos os países está se tornando fundamental para o alto desempenho.
Acesse capacidades globais de ponta
Como primeiro passo, as empresas brasileiras precisam aproveitar as oportunidades que a tecnologia e a globalização lhes oferecem em termos de acesso às melhores habilidades e recursos do mundo. 
Um bom exemplo são as firmas brasileiras de ponta na economia digital. Rápidas para alavancar essas oportunidades, empresas de tecnologia como Hive e Movile estabeleceram presença no Vale do Silício, nos Estados Unidos, assegurando uma ligação com os principais pensadores e inovadores em suas áreas. A expansão no exterior não visa apenas conquistar boa participação em novos mercados, mas a ter acesso a talentos, capital, tecnologia e uma série de outros fatores essenciais para se manterem competitivas.
Agregue valor em casa à sua marca por meio da presença global
Os mercados brasileiros valorizam o reconhecimento no exterior. Em estudo de 2012 sobre multinacionais brasileiras, a Fundação Dom Cabral perguntou a executivos o que eles viam como maiores benefícios da internacionalização: três das quatro respostas mais citadas envolviam a melhoria da marca no mercado doméstico. A internacionalização pode ser uma forma tanto de conquistar espaço lá fora como de ter mais sucesso em casa.

Priorize as PMEs como parceiras de negócios e impulsionadoras de crescimento
Os executivos precisam reconhecer que o sucesso nos mercados brasileiros e globais de amanhã exigirá um aumento da consciência global e do envolvimento com empresas de todos os tamanhos.
Assim como as empresas de pequeno e médio porte (PMEs) são o motor do crescimento doméstico no mundo todo, elas também estão se tornando cada vez mais os motores do crescimento global graças à sua capacidade de formar redes entre si e com grandes corporações. Algumas empresas brasileiras já entenderam essa tendência: a Odebrecht colaborou recentemente com o Sebrae para, juntos, treinarem 15 micro e pequenas empresas para produzirem calçados a serem usados em seus canteiros de obras no exterior. Parcerias e oportunidades como essas podem abrir portas para futuros empreendimentos no exterior. Contudo, há poucos exemplos deles envolvendo empresas brasileiras.
Felizmente, multinacionais estrangeiras também estão ajudando a estabelecer parcerias com empresas brasileiras de menor porte, proporcionando boas ocasiões para buscar oportunidades globais de negócios. O Google, por exemplo, também está colaborando com o Sebrae, apoiando e promovendo o uso de suas próprias ferramentas on-line.
Percepção: 
Sucesso no mercado interno leva a sucesso regional, e sucesso regional é um trampolim para o sucesso global.
Realidade: 
Empresas de alto desempenho buscam as melhores oportunidades onde quer que elas estejam, e não apenas em seu próprio quintal.
Ao se expandirem no exterior, as empresas brasileiras tendem a olhar primeiro para os vizinhos. Por exemplo: um executivo sênior do setor de serviços financeiros do Brasil nos falou  sobre a ambição de sua empresa de se tornar um importante player em toda a América Latina antes de explorar outros mercados. Essa atitude é característica de uma tendência bastante difundida entre os líderes de negócios brasileiros, que costumam ver uma progressão lógica do crescimento doméstico para o crescimento regional, que por sua vez é visto como um passo prévio ao crescimento global.
De acordo com análise da Fundação Dom Cabral, 56,5% das multinacionais brasileiras estabeleceram sua primeira subsidiária estrangeira na América do Sul. A América do Norte vem num distante segundo lugar, com 32,6%. Com efeito, pesquisas mostram que uma parcela substancial das multinacionais brasileiras parece apenas olhar além da região após terem estabelecido subsidiárias em alguns países latino-americanos.
Nossa pesquisa mostra que esse fenômeno tende a continuar. Quando perguntamos a mais de cem multinacionais e aspirantes a multinacionais brasileiras sobre seus planos de investimento nos próximos três a cinco anos, a região da América Latina e Caribe emergiu como a grande prioridade para 61%. Houve um hiato considerável antes da segunda prioridade, Oriente Médio e África (35%), seguida de perto por EUA e Canadá (34%).
A barreira da distância psíquica
Existe certa lógica ao escolher mercados geograficamente próximos no começo de um processo de expansão internacional. Fatores culturais podem simplificar a comunicação e os negócios. É mais provável que relacionamentos pessoais já existam. Todavia, para muitas empresas, a opção de crescer dentro da América Latina deve-se a uma percepção comum, mas não comprovada, de que essa é simplesmente a forma mais sensata e fácil de começar. Infelizmente, com frequência isso não é verdade. 
Uma grande razão para essa percepção reside no conceito de distância psíquica. Pesquisa acadêmica confirma que as empresas brasileiras tendem a evitar mercados distantes devido a uma ênfase excessiva no mercado e no ambiente domésticos. Está comprovado que isso prejudica o desempenho internacional, pois leva à perda de oportunidades. Em suma, os líderes de negócios brasileiros têm uma preferência instintiva por crescer dentro da região, em vez de explorar um campo mais amplo.
O crescente risco de manter um foco exclusivamente regional
Ao planejar uma trajetória de crescimento visando exclusivamente a América Latina, muitas empresas brasileiras não estão prestando a devida atenção ao nível de transformação do cenário global de riscos e oportunidades.
Devido a dinâmicas demográficas e econômicas, diversos mercados emergentes fora da região terão os maiores aumentos de renda em termos absolutos durante a próxima década. Esses mercados podem apresentar as melhores oportunidades para empresas brasileiras – mas apenas para aquelas que queiram e saibam aproveitá-las. Além disso, 
países no mundo todo estão implementando reformas regulatórias, institucionais e de políticas públicas visando minimizar riscos para as empresas e atrair investimento estrangeiro. Esses países podem apresentar boas oportunidades para empresas brasileiras dispostas a olhar além da América Latina na busca de destinos de investimento potenciais.  

Rompendo a barreira da distância
A boa notícia é que nunca foi tão fácil superar a barreira da distância psíquica. A economia globalizada de hoje facilita muito a superação de obstáculos de alcance geográfico e distância cultural. Cada avanço sucessivo da tecnologia da informação e comunicação derruba custos e diminui a complexidade que a distância costumava representar.
Empresas brasileiras de ponta estão explorando esses avanços para encontrar e aproveitar as melhores oportunidades de negócios, onde quer que elas estejam. Um bom exemplo é a P3D, que produz softwares educacionais científicos com tecnologia 3D. Como explica o CEO Mervyn Lowe, a empresa decidiu operar lá fora quando percebeu que seu produto era único e tinha grande potencial. A P3D foi criada em 2003 em São Paulo – na incubadora do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), ligado à USP. Hoje tem uma equipe de aproximadamente 40 pessoas, das quais dez no exterior. Abriu seu primeiro escritório fora do país em 2006 na Espanha, de onde cobre o mercado europeu, e o segundo em 2013 na China, de onde cobre o mercado asiático. 
Percepção: 
O apoio do governo é uma condição para o sucesso internacional de empresas brasileiras.
Realidade: 
As empresas brasileiras precisarão cada vez mais buscar fontes alternativas de financiamento.
O governo brasileiro tem dado forte apoio aos esforços de internacionalização das empresas do país. As estatísticas confirmam isso: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu financiamento a juros baixos para empresas ou adquiriu participação em 21 das 25 firmas mais internacionalizadas do país.
Trata-se de uma boa notícia. O financiamento direcionado pode estimular o crescimento, a inovação e a produtividade das multinacionais brasileiras; e esse tipo de apoio pode, muitas vezes, ser a única forma de ter acesso a capital de investimento suficiente para competir em pé de igualdade em novos mercados. Também é uma maneira importante de criar competitividade global em setores estrategicamente importantes. 
Entretanto, muitas empresas passaram a considerar que necessariamente teriam acesso a essa fonte de financiamento. É aí que mora o perigo. 


Os tempos estão mudando no Brasil. Nosso argumento é que, no futuro, menos empresas brasileiras poderão contar com apoio financeiro do governo para alimentar sua expansão internacional. As razões são simples: de um lado da equação, o governo tem menos dinheiro para oferecer. Do outro, haverá mais empresas tornando-se globais e, portanto, maior disputa por recursos cada vez mais escassos. 

Leia a matéria completa em - See more at: http://www.hbrbr.com.br/materia/verdades-de-ontem-e-realidades-de-hoje-uma-nova-mentalidade-global-para-empresas-brasileiras#sthash.mMtGl9QM.dpuf

Escrito por:
  • Felippe Oliveira
  • Eduardo Plastino
  • Athena Peppes
  • Armen Ovanessoff

domingo, 27 de julho de 2014

Uma visão antropológica das redes sociais


Em um ecossistema de mercado cada vez mais complexo, hiperconectado e instável, a inovação tornou-se a panaceia da qual as organizações precisam para se adaptar.

Sem entrar na discussão sobre a correta definição do termo inovação, consideramos que, na “sociedade em rede”, a inovação deixou de depender dos gênios e eurekas individuais para ser uma propriedade emergente das redes sociais de colaboração, em todo o seu processo de desenvolvimento e difusão.

Particularmente no Brasil, o conceito de “rede social” está fortemente associado ao de “mídias sociais”. Todavia, este último é um tipo particular de rede social que se estabelece através de canais virtuais de compartilhamento de informação, tais como Facebook, Twitter e LinkedIn.

Já do ponto de vista antropológico, o desenvolvimento de redes sociais pela humanidade antecede, em pelo menos dois milhões de anos, os fenômenos cyberculturais das mídias sociais, pois nosso gênero é definido justamente pela sua capacidade de estabelecer grandes redes sociais entre indivíduos distantemente aparentados ou mesmo desconhecidos entre si. Essa formidável capacidade cooperativa — que as mídias sociais apenas potencializam — nos diferencia do comportamento cooperativo de outras espécies sociais.

As redes sociais são, portanto, condição sine qua non da nossa espécie e transcendem o canal pelo qual se desenvolvem, seja numa comunidade caçadora-recoletora do neolítico ou numa organização empresarial na era da interconectividade.

Finalmente, denominamos as interações sociais que se estabelecem dentro de uma organização empresarial, como “redes organizacionais”, que se estabelecem tanto entre colaboradores quanto entre colaboradores e stakeholders (seus públicos de contato), abarcando todo o ecossistema do negócio.

A administração moderna

Hoje, mais do que nunca, são as redes informais as que determinam como o trabalho é feito numa organização.

Em um contexto que facilita a interconectividade através de múltiplos canais de relacionamento, as organizações engessadas nos seus organogramas formais e míopes das suas redes informais apresentam cada vez mais dificuldades em inovar, pois a inovação emerge das redes de colaboração, sendo elas fundamentalmente informais.




Cada vez mais discursadas no repertório da administração moderna, na prática, as redes informais continuam sendo mal compreendidas e, pior, mal gerenciadas, sendo entendidas, na maioria das vezes, como antiestruturas desestabilizantes do status quo, mais do que uma face fundamental do pulso organizacional.

Na imagem acima, à esquerda, temos o organograma formal, em que os relacionamentos são definidos pela divisão tayloriana do trabalho. Esta rede formal (pois não deixa de ser uma rede) define as unidades funcionais e a hierarquia das relações de comunicação entre os indivíduos que a compõem.
À direita, por sua vez, apresentamos uma das tantas dimensões de rede informal que emergem das interações no dia a dia e que determinam como o trabalho é realmente feito. Com “dimensões” nos referimos ao tipo de relação que estamos mapeando, podendo ser definido como redes de troca de informação, aconselhamento técnico ou de carreira, motivação, novas ideias e assim por diante.

Nas redes informais, a posição estrutural dos indivíduos é dinâmica, pois está definida pelas relações em constante evolução. Neste caso, a função que o indivíduo desempenha já não está determinada pela sua função formal, mas pela sua localização estratégica na rede. Algumas das funções recorrentes dos nossos mapeamentos são:

Influenciador: mesmo sem ser necessariamente um líder formal, possui muitos vínculos diretos com outros indivíduos, podendo influenciá-los nas suas ideias e comportamentos.

Construtor de pontes: chave na inovação e integração organizacional, transcende silos funcionais criando pontes entre subculturas organizacionais
diversas (por exemplo, conectando a área de engenharia com a de marketing). Com acesso a informações estratégicas e não redundantes, o construtor de pontes
pode aumentar drasticamente a capacidade de inovação da organização, reduzindo o “time to market”.

Gargalo: gera uma alta dependência ao concentrar e controlar o fluxo das informações, tornando a comunicação ineficiente e mantendo sua equipe na periferia da rede. A descentralização das suas atividades não prioritárias costuma ser uma solução a este sintoma, comum nas lideranças sobrecarregadas de tarefas.

Periférico subutilizado: não consegue integrar-se à cultura organizacional (e suas redes de relacionamentos), seja por uma fraca socialização ou por incompatibilidades com a cultura dominante. Alinhar os valores e objetivos da organização com os processos de contratação e posterior socialização, torna mais eficiente a qualidade e o timing da integração, ao mesmo tempo que reduz a rotatividade e aumenta o rendimento do trabalho em rede.

Periférico intencional: por sua especialidade ou escolha de vida possui mais relações fora do que dentro da organização. Geralmente são pesquisadores, vendedores ou representantes, cujo foco está fora dos limites porosos da empresa. Saber respeitar o foco das suas relações com o ambiente externo, sem deixar de estimular as conexões com pessoas-chave do ambiente interno, é o que este tipo de perfil precisa para um melhor desempenho em rede.

Revelar a importância estratégica das redes informais não significa tornar obsoletos os organogramas formais, pois estes atingem uma função normalizadora importante. Ao contrário, acreditamos que a chave está no alinhamento e sinergia que estas duas estruturas devem gerar para o desenvolvimento da organização como um organismo vivo.

Momentos traumáticos de reestruturação deveriam considerar a relação que se estabelece dialeticamente entre as redes formais e informais, pois esta impacta fortemente a perenidade organizacional.

Particularmente em processos de fusões & aquisições (F&A), sobram evidências da porcentagem de experiências que não atingem as sinergias esperadas, evidenciando-se como principal causa o choque cultural na hora de integrar as redes informais envolvidas na equação. 
Desvendar os fluxos e padrões das redes informais de trabalho, em sinergia com o organograma formal, possibilita enxergar caminhos para tornar as organizações mais integradas, inovadoras e adaptáveis aos desafios da “sociedade em rede”.



Duas caras da mesma cultura

No final de 2010, a Tree Branding conduziu um projeto de pesquisa pioneiro sobre o mapeamento das redes informais na Vivo, empresa líder no mercado brasileiro de telecomunicações móveis.

O objetivo foi desvendar o capital social da companhia, através das suas redes de trabalho informais, para assim estimular sua capacidade adaptativa e de inovação, atributos marcantes de sua cultura organizacional.

Para tanto, foram mapeadas as redes informais de Cooperação, Energia e Inovação, definidas no Modelo da Pirâmide do Trabalho em Rede® (veja o quadro “Modelo para mapear redes”), envolvendo aproximadamente 620 gestores, isto é, toda a média e alta gestão da Vivo.

Também foram mapeadas centenas de redes de conhecimentos e projetos estratégicos, junto com os principais canais de comunicação (online e off-line) por meio dos quais as diversas redes se estabelecem.

Para a realização desta pesquisa inovadora, contamos com o suporte fundamental do CEO da Vivo na ocasião, da área de desenvolvimento humano e organizacional e de uma estreita colaboração com a consultoria de branding estratégico da Vivo.


Do mapeamento realizado na Vivo, emergiu um claro padrão de comportamento das redes, que segmentamos em três níveis de análise:

1 Macrorredes  No nível das macrorredes, as três dimensões mapeadas apresentam um padrão similar de relações e seguem a disposição proposta no modelo da pirâmide, mostrando uma maior interconectividade na Cooperação e menor na Energia e Inovação.

Na ilustração à esquerda se observa especificamente a rede de Cooperação dos gestores da Vivo, que apresenta a caraterística de um “mundo pequeno”, onde todos os colaboradores (identificados como círculos) se interconectam entre si direta ou indiretamente em uma média de três passos de distância (equivalendo cada passo a uma pessoa).

Desta maneira, uma análise do nível macro da rede de Cooperação constata que a presença de um grande e coeso componente de inter-relações retrata a Vivo como uma empresa que, de fato, trabalha em rede.

2 Mesorredes  Já no nível dos agrupamentos, ou mesorredes, a imagem inferior apresenta a mesma rede de Cooperação, desta vez tratada com um algoritmo que acentua a separação entre os círculos, possibilitando a identificação de agrupamentos dentro do componente único.

Dessa maneira, na parte superior da rede observa-se uma região mais heterogênea no que diz respeito à comunicação entre as diversas áreas, definidas pelas cores dos círculos.

Na parte inferior da rede, observam-se duas áreas majoritárias (representadas pelas cores azul-celeste e verde-claro) que, ainda em contato com o resto da rede, manifestam uma maior homogeneidade de conexões no seu interior.

Particularmente, a área inferior direita, cujos círculos estão identificados com a cor verde-clara, apresenta uma separação mais acentuada do resto da rede. Essa separação foi interpretada como representando mais do que um silo funcional, uma subcultura diferente do resto da rede.

3 Microrredes  Finalmente, no nível individual, ou das microrredes, foram identificados influenciadores dentro de cada área e criadores de pontes entre áreas. A centralidade da maioria desses colaboradores repetiu-se nas três dimensões mapeadas determinando o que denominamos de “efeito de multiplexidade”. A valorização e envolvimento desses indivíduos com capacidades múltiplas de influenciar e criar pontes são fundamentais para estimular a integração entre os silos funcionais, sendo através deles que as subculturas podem ser estrategicamente integradas.

Com este exemplo de mapeamento da dimensão Cooperação é possível vislumbrar o poder da Análise de Redes Organizacionais em geral, e do modelo da Pirâmide do Trabalho em Rede® em particular, para o diagnóstico e gestão estratégica das redes de trabalho na era da interconectividade. 

Ignacio García, professor e antropólogo sociocultural pela Universidade de Buenos Aires, é coordenador das Redes Colaborativas de Inovação do Fórum de Inovação da FGV-EAESP, sócio-fundador da Tree Branding Consulting (www.treebranding.com) e da Tree Intelligence Social Analytics (www.treeintelligence.com).
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