Por incrível que possa parecer,
ainda existem pessoas que acreditam que a beleza estética é algo que pertence
ao universo da vaidade e das coisas fúteis não representando em si um valor
autêntico, mas uma coisa que é, sob muitos aspectos, negativa em sua essência.
Não haveria problema algum neste
tipo de visão, se ela não fosse compartilhada e aceita por profissionais
responsáveis por conduzir seus produtos num mercado onde a beleza desempenha um
papel preponderante.
Profissionais e especialistas não
podem ter visão semelhante a de leigos que são facilmente levados pelo senso
comum e pelo moralismo virtuoso que nega o valor da beleza por considera-la
algo distante dos verdadeiros valores morais da sociedade. Ao contrário do que
acreditam estes leigos, uma pesquisa do Comitê de Estudos Estratégicos da ABRE,
revelou que a beleza estética do design é o principal fator de atração e
convencimento que ela dispõe para conquistar o consumidor.
Esta pesquisa e os estudos
realizados pelo Comitê foram publicados num documento intitulado: “Diretrizes
Estratégicas para a Indústria de Embalagem” cujo objetivo é orientar os
associados da entidade a proceder de forma condizente com a importância que
cada aspecto tem para o desempenho de seu negócio.
O Foco deste estudo era entender
como é composto o valor da embalagem, como ele se manifesta e como é percebido
pelos vários elos da cadeia. A conclusão deste estudo indicou que o valor da
embalagem, “é
aquilo que o consumidor percebe e aceita pagar por ele”. Concluiu também,
que o consumidor não separa a embalagem de seu conteúdo e que para ele, os dois
constituem uma única entidade, indivisível. A beleza estética, é um componente
fundamental desta entidade e dela não pode ser excluída.
A embalagem interage com o
consumidor no ponto de venda em confronto direto com suas concorrentes. Nesta
situação, a embalagem precisa atrair o consumidor, conquistar sua atenção,
despertar seu desejo de compra e conquistar sua preferência, em poucos segundos
de tempo e não pode de forma alguma ser feia ou inexpressiva para conseguir
isso.
O feio vende-se mal, conforme
descobriu em seus primórdios a revolução industrial, que viu a abundância de
produtos introduzir a competição de mercado. Neste cenário, novo até então,
pois antes da indústria os produtos eram feitos a mão em número muito reduzido,
a beleza surgiu como o fator capaz de encantar o consumidor tornando os
produtos mais desejáveis.
A partir desta constatação, os
produtos mais bonitos e atraentes dominaram o mercado impondo sua estética aos
seguidores que aderiram à nova linguagem ajudando assim a consolidar o modelo
que temos hoje.
Quando falamos da beleza das
embalagens, estamos na verdade falando de forma, cor e imagem.
A beleza, portanto, é um
componente fundamental no desempenho competitivo, um valor que o consumidor
reconhece e que faz com que ele aceite pagar mais por um produto que incorpora
estas características.
Quem é profissional responsável
por embalagens em uma empresa, deve visitar constantemente o ponto de venda e
verificar como estão posicionados seus produtos frente a concorrência. É
preciso dirigir a si mesmo de frente para as gôndolas, a seguinte pergunta: “
As embalagens dos meus produtos são inferiores as embalagens dos meus
concorrentes?”.
Se ao responder de forma sincera
esta pergunta, a resposta for positiva, você está diante de um problema /
oportunidade.
Problema, se esta situação
permanecer pois, como o consumidor não separa a embalagem do seu conteúdo, para
ele se a embalagem é inferior, o produto também é. Neste caso, sua única
alternativa é vender mais barato.
Oportunidade, se ao constatar
esta situação você decidir agir para tornar suas embalagens mais bonitas e
atraentes que as da concorrência, afinal, como vimos, a beleza é um valor que o
consumidor reconhece e as empresas conscientes disso podem fazer com que ela
trabalhe a favor de seus produtos.
Como diria Vinícius de Moraes, as
embalagens feias que nos desculpem, mas a beleza na embalagem é fundamental.
Fabio Mestriner
Professor Coordenador do Núcleo
de Estudos da Embalagem ESPM
Professor do Curso de
Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem da Escola de Engenharia Mauá
Coordenador do Comitê de estudos
estratégicos da ABRE
Autor dos livros: Design de
Embalagem Curso Avançado e Gestão Estratégica de Embalagem
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